[Verso 1 O tempo escorre, feito lágrima no chão, Um rio que me leva sem permissão. O presente é a gota que cai na corrente, Se vai num suspiro, tão breve e urgente. O passado se esconde nas pedras do fundo, Memórias submersas num eco profundo. O futuro é um vulto na névoa distante, Um sonho disperso no fluxo constante. [Pré-Refrão Se eu pular, será que vou encontrar, O que ficou pra trás ou o que está por chegar? Ou será que o rio só quer me ensinar, Que o tempo é o agora, e eu preciso escutar? [Refrão O passado é um quadro que não posso pintar, O futuro é um livro que ninguém vai folhear. E o presente é tudo que posso sentir, Um instante eterno que insiste em fugir. [Verso 2 Heráclito falou, nunca o mesmo rio, Sou parte das águas, mas me desafio. O homem que observa nunca será igual, E o rio que flui é sempre novo, afinal. Será que o tempo tem começo e fim? Ou ele é um ciclo que vive em mim? Os astros giram, o universo expande, E eu sou só poeira que o tempo comanda!? O tempo não é linha, é rede de fios, Tecido invisível, moldando os desafios. Cada escolha, um nó; cada passo, um laço, E o rio do tempo dança no meu compasso. O passado é um eco que não posso alcançar, O futuro é promessa que insiste em escapar. Mas o presente é chama que me mantém aqui, Um breve lampejo, meu motivo pra existir. E se o rio fosse cíclico, voltando pra mim? Será que eu entenderia onde tudo tem fim? Ou será que o tempo é só ilusão, Uma forma que damos à nossa percepção? O tempo me cerca, mas nunca me prende, É o barco que não afunda, mas que sempre transcende. Remo com força, tentando entender, Que o rio não pergunta, só me faz viver. O tempo não espera, ele segue em silêncio, Enquanto eu conto segundos num gesto tão tenso. Einstein já disse: o tempo é relativo, Mas na minha mente ele é tão incisivo. Buracos de minhoca, teoria ou verdade? Será que o passado guarda minha identidade? O futuro, será que já está escrito? Ou sou o autor de um verso infinito? Cada segundo é uma folha que cai, Vento que sopra não volta jamais! No rio do tempo, sou peixe ou corrente? Sou parte do todo ou só um elo ausente? O passado é um eco que não posso alcançar, O futuro é promessa que insiste em escapar. O presente é chama que me mantém aqui, Um breve lampejo, meu motivo pra existir. Então eu mergulho, não pra mudar, Mas pra sentir as águas a me transformar. O rio do tempo não me deixa voltar, Mas me dá o presente, pra eu nele morar.