Verso 1: No teatro do beco, a cortina é um véu rasgado, O palco treme, o ator repete o verso errado. O ponto grita: “Cena nova, mesmo roteiro!”, E a plateia aplaude o que já foi censurado. Refrão: Ah, meu amor, que peça mal ensaiada! O que não se cala, se assobia… O holofote cega a farsa ensopada, E o protagonista some no meio da ironia. Verso 2: O lustre de cristal balança, cheio de pó e nobreza, A voz do ponto sussurra: “Cortem o terceiro ato!” O galã entra em cena com a mesma promessa, Mas o coro repete o medo em surdato. Refrão: Ah, meu amor, que peça mal ensaiada! O que não se cala, se assobia… O holofote cega a farsa ensopada, E o protagonista some no meio da ironia. Ponte: O vilão da história troca a máscara por um sorriso, E a revolução é só um adereço de cartão. O ponto engasga, perde o aviso, E o teatro inteiro vira um palco sem dono. Último Refrão (em tom de samba-canção): Ah, meu amor, a plateia vai embora… O que não se cala, desaba em poeira. A cortina cai, mas a noite ainda chora No teatro do beco, que virou furna de espera.