O vento norte varre as folhas do terreiro, vem assoviando e despenteando o pajonal... Encrespa a água dum açude do potreiro e tira acordes ancestrais do taquaral... O vento norte topa a vida pela frente, vai anunciando que vem chuva e temporal! Trompando o dia, pecha bicho, pedra e gente e leva embora tempo e mágoa, ao natural! É um caminheiro de invernadas e banhados, cortando rumos de fronteira e litoral... Traz a esperança para o campo castigado pela estiagem que esfarela o pastiçal! Esse meu peito ressecado de saudades, vive esperando, noite e dia, esse sinal... Que um vento norte, traga o campo pra cidade pra verdejar o gris dessa perimetral! Abana os galhos, um capão de guajuvira... Corre a tropilha, muito mais do que o normal... A calmaria, de repente, se retira... O que era brisa, se transmuda em vendaval... Assim é a vida! De repente, a sorte vira... E a terra seca se transforma em manancial!