Nasço da sanga mais rasa Broto do poço mais fundo, E me extravaso pro mundo Em forma de chuva calma. Me batizaram de lágrima, E assim sou, sem lamento Pois vivo no sentimento Nas profundezas da alma. Quantas vezes serpenteio feito água em corredeira; no choro, sou cachoeira desabando em maroleio. Por lágrima, sou os receios das temporonas quietudes onde os olhos, -dois açudes- se transbordam quando cheios. Refrão: Quando um filho vai embora Ou quando ele vem voltando… Me manifesto essa hora Num rosto lacrimejando. Sou lágrima calçando espora E sigo a vida esporeando… Sou sentimento que aflora Num par de olhos, chorando. Sou rio de águas salinas que também nas alegrias desentaipa às agonias enserenando as retinas. Sou enchente cristalina, que se derrama nas dores quando se vão os amores que a dor do adeus determina. Não mato as sedes do corpo, rego as feridas da alma; guardo silêncios que acalma as feições de algum rosto... E o sal que trago no gosto em resignos de cura; tem unguentos de ternura pra amenizar os desgostos