Às vezes calo
Por não saber o que dizer
Às vezes grito
Com as paredes pra esquecer
Do que machuca
Se ainda machuca eu vou deixar
Às vezes canto
Por não saber quando calar
Às vezes minto para mim mesmo
Ou pra tentar
Abafar casos
Tranco as gavetas
Troco os móveis de lugar
Deixo a louça acumular
Eu não sei como mudar e finjo que
Às vezes quero
Mas prefiro não assumir
Às vezes cedo
Mas já é tarde até pro sim
O que machuca é conviver com esse “e se”
Às vezes penso
E depois quero não lembrar
Às vezes tenho
Receio de sequer olhar
Para o passado dormindo ao lado
Vendo vago o seu lugar
E eu nem sei como explicar
Poderia até tentar mas sinto que
Se eu não fosse tão teimoso e até descrente se eu não fosse aquele que sempre quer estar sempre tão certo e sempre esquece do que realmente importa
e se eu fosse quem que decora as próprias músicas
Eu queria muito ser quem sabe o que fazer na hora H e não quem só aponta o dedo
Quem se e só tem medo e não se toca
Só se fecha em sua toca sem lidar com a própria culpa
A verdade é que se eu fosse mais sincero e quem sabe mais amigo dos amigos, mais presente, mais preciso nas palavras com o cuidado pra não magoar ninguém ou a mim mesmo
Eu poderia ser mais corajoso e bem menos amargo, menos vaidoso com o que sei e saber menos, não querer o mundo inteiro ao mesmo tempo e me cuidar
Começar a aceitar quem sou por dentro e me cuidar
Ser bem menos cruel comigo mesmo e me cuidar
E quem sabe um dia amar o que eu vejo
No reflexo do espelho
Eu poderia
Às vezes sinto
E depois quero não lembrar