Era madrugada, seis da manhã,
Carlão na Tamandaré, pedalando sem parar.
Com sua bicicleta, e o jornal na mão,
Cumprindo sua rotina com total dedicação.
Jogou o jornal, não pôde imaginar,
Que três cachorrões iam lhe emboscar.
Pularam o muro, latindo feroz,
E o Carlão pensou: \"Hoje Deus me socorre, por nós!\"
Pedalou, correu, mas não teve saída,
Subiu na árvore pra salvar a sua vida.
Na rua vazia, ninguém pra ajudar,
Só ele, os cachorros e o dia a raiar.
Ô Carlão, ô Carlão, que missão ingrata,
Quarenta minutos na árvore, com latidos de ameaça.
Os cachorros cansaram, e foram embora,
E ele desceu da árvore e seguiu a história.
O tempo passou, Carlão se formou,
Largou os jornais, e jornalista virou.
E os cabelos, coitados, se foram também,
E até hoje ninguém sabe muito bem...
Foi a profissão, ou talvez o estresse?
Ou a Adriana, que o Carlão desobedece?
Ele ri da questão, não quer se abalar... e diz:
\"Os carecas, meu amigo, é que elas gostam de amar!\"
Hoje ele escreve, histórias mil,
Mas nunca esqueceu daquele desafio.
Na Tamandaré, ele venceu o azar,
E a vida lhe trouxe um novo lugar.
Ô Carlão, ô Carlão, que trajetória,
Dos cachorros pra crônica, que vitória!
O careca querido, ninguém esqueceu,
Lenda da Tamandaré, o bairro é todo seu.
E se alguém perguntar do episódio canino,
Ele ri, meio sério, com ar de menino.
\"Na vida, a gente corre, a gente sobe, a gente cai,
Mas nunca desiste, porque a vitória vem mais.\"